Autor: Cibele Freire (A Cidade de São Paulo)
Edição: Marcelo Iglesias(somente, foram retirados os eventos que já aconteceram)
Compositor, cantor e grande poeta da cidade de São Paulo, Adoniran Barbosa completaria 100 anos no dia seis de agosto. A data já passou, mas as homenagens seguem durante todo o ano, em peças, shows e festivais.
Ado(ni)rando
O musical contempla a vida de Adoniran Barbosa que, como a sua obra, se mistura a São Paulo. A montagem dá preferência às composições com nomes femininos para desenrolar a biografia do compositor meio italiano, meio caipira, mas 100% entregue aos encanto paulistanos.
Serviço
Local: teatro União Cultural
End.: R. Mário Amaral, 209 – Paraíso
Data: todo domingo, até 28 de novembro
Horário: 20h
Tel.: 2184-2904
O espetáculo resgata a história do samba paulistano com a história de João que retorna depois de 30 anos à rua em que morou e, a partir de então, passa a reviver histórias do passado cheias de música e boemia.
Serviço
Local: teatro Coletivo 1
End.: R. da Consolação, 1623
Data: até 28 de novembro
Horário: sábados, às 21h e domingos às 20h
Tel.: 3255-5922
A história do Camisa Verde Branco que conhecemos atualmente, iniciou-se em 1914, com a fundação do Grupo Carnavalesco Barra Funda, comandado por Dionísio Barbosa (sobre quem falamos há pouco). Os integrantes masculinos da entidade festejavam nas ruas do bairro que deu nome ao grupo, vestidos de camisas verdes e calças brancas.
A combinação da vestimenta fez com que, durante o Estado Novo, os membros do Barra Funda fossem confundidos com simpatizantes da Ação Integralista Brasileira, partido político liderado por Plínio Salgado. Por conta desse mal entendido, os sambistas foram perseguidos pela polícia do então presidente Getúlio Vargas. O fato fez com que o grupo carnavalesco deixasse de desfilar a partir de 1936.
Porém, em 1953, ou seja, 17 anos após a “longa paradinha” do Barra Funda, Inocêncio Mulata (do qual também já falamos) criou um movimento para reorganizar e reunir os sambistas. Assim, em 4 de dezembro daquele ano, ele criou o Cordão Mocidade Camisa Verde e Branco.
Já no seu primeiro ano desfilando como cordão, o Camisa foi campeão com o enredo “Quarto Centenário”. O grupo ainda venceria em mais quatro oportunidades: 1968, 1969, 1971 e 1972.
Após o seu último título como cordão, com a decadência desse tipo de organização e a paralela popularização das escolas de samba, o Camisa seguiu a tendência da época. Como escola, a agremiação conquistaria o seu primeiro título em 1974. Nessa categoria, o grupo da Barra Funda ainda sagrou-se vitorioso em: 1975, 1976, 1977, 1979, 1989, 1990, 1991 e 1993.
Durante a sua história como escola de samba, o Camisa Verde e Branco sempre teve os seus desfiles marcados pela sua bateria, conhecida como “A Furiosa da Barra Funda”. Após 1993, a agremiação passou por períodos de dificuldades e ressurgimentos gloriosos nos Carnavais.
Algo que também merece destaque é que o Camisa sempre deixou a bandeira do samba em destaque, contando com inúmeras e memoráveis participações da sua Velha Guarda Musical, composta por: Nelson Primo, Paulo Henrique, Eduardo Joaquim (Dadinho), Otacílio Guilherme (Melão), Haíltinho, Ailton Santamaria e Mário Luiz.
Inocêncio Tobias, o Mulata, em 1953, deu início a um movimento que reorganizou o antigo grupo carnavalesco Cordão Mocidade Camisa Verde e Branco (fruto do que fora o Grupo Barra Funda, fundado por Seu Dionísio Barbosa, em 1914).
Já no seu primeiro ano desfilando como cordão, o Camisa Verde venceu o desfile de cordões, com o enredo "Quarto Centenário". O grupo ainda seria campeão em quatro outras oportunidades: 1968, 1969, 1971 e 1972 (época em que os cordões estavam em decadência com a popularização das escolas de samba).
Com o fim do desfile de cordões, após o carnaval de 1972, o Camisa Verde e Branco tornou-se escola de samba, chegando ao seu primeiro título em 1974.
Em 1980, com a morte de Inocêncio Tobias, a presidência da escola de samba ficou nas mãos do seu filho Carlos Alberto Tobias, com o apoio da mulher Magali e da sua mãe Dona Sinhá - Cacilda Costa - esposa de Inocêncio Tobias.
Foi um dos primeiros negros nascidos livres no Brasil. Filho de escravos, Dionísio trouxe o samba de bumbo rural quando veio para São Paulo. Morador da região da Barra Funda (na zona oeste da cidade), próximo ao carnaval, reuniu amigos e familiares e, ao lado de cerca de 20 pessoas vestindo calças brancas e camisas verdes, fundou o Grupo Barra Funda (a semente do que seria o Cordão Barra Funda e, posteriormente, o Cordão Camisa Verde e Branco).
Apesar das inúmeras agressões verbais e até físicas que sofriam de integrantes da sociedade da época, os membros do cordão de Dionísio mantiveram-se firmes. Infelizmente, era comum rotulá-los como marginais e não como sambistas.
Em 1914, o grupo realizou o seu primeiro desfile, e em 1936, cansado das perseguições que sofria, Dionísio decidiu que o cordão não sairia mais nas ruas. Os shows continuaram, mas não no meio da rua. O cordão pioneiro do carnaval paulistano ficou até 1953 sem desfilar, voltando sob a direção de Inocêncio (do qual falaremos com mais detalhes em breve).
Apesar de já existirem algumas escolas de samba em São Paulo, os grandes nomes do ritmo encontravam-se nos cordões carnavalescos. Na época, destacavam-se Camisa Verde e Branco, Vai-Vai, Paulistano da Glória, Campos Elíseos e Som de Cristal.
Outro aspecto que merece lembrança é a batida dos cordões. Ela era bastante diferente daquilo que se pode observar nas escolas de samba de hoje em dia. Porém, os cordões acabaram, e aqueles que ainda sobreviveram, transformaram-se em escolas de samba. Camisa Verde e Branco e Vai-Vai foram os que mais resistiram antes de passarem para a fase atual do samba paulistano.
O fim dos cordões aconteceu devido à influência da elite da cidade e por conta do paternalismo das autoridades locais que decidiram incrementar as manifestações espontâneas do povo. Não que tenha havido má intenção, mas, longe da realidade dos cordões, o que se acrescentou foi apenas a “espetacularização” do carnaval e algum dinheiro (que nunca chegou aos verdadeiros artistas do samba e seus herdeiros).
O samba paulista é diferente do samba baiano que se instalou no Rio de Janeiro a partir da casa das "tias". Aqui, o ritmo é mais puxado ao batuque; vem das fazendas de café. O crioulo proveniente do interior foi se instalando perto dos locais de trabalho: Jardim da Luz, Barra Funda, Largo da Banana, Praça Marechal, Alameda Glete, Bexiga, Rua Direita, Praça da Sé. Todos esses se tornaram redutos da história do samba paulistano.
Em São Paulo, como no Rio de Janeiro, a polícia perseguia o samba e os sambistas. Os cariocas subiam o morro, a polícia se acanhava, e a batucada comia solta. O samba era solto, batido na mão, espalhado pelo terreiro. Aqui, o sambista se recolhia nos porões. Espalhado debaixo de um céu cheio de estrelas e de luar, o ritmo sobrevivia. Só era possível saber que estava havendo pagode pelo ronco da cuíca e pelo gemido do cavaquinho, porque ver, não se via ninguém.
São muitos os grandes sambistas de São Paulo: Vassourinha, Dionísio Barbosa, Marmelada, Jamburá, Feijó, Pato N’água, Sinval, Inocêncio Mulata, Carlão do Peruche, Nenê da Vila Matilde, Pé Rachado, Zezinho do Morro da Casa Verde, Geraldo Filme, Chiclete, Zeca da Casa Verde, Toniquinho Batuqueiro, Nego Braço, Zoinho, Dona Eunice, Sinhá, Donata, Osvaldinho da Cuíca, Chapinha, Paqüera, entre outros.
Um dos pontos de encontro desses bambas era o Largo da Banana. Lá, os caminhões que vinham do interior encostavam pra descarregar. Enquanto não vinha caminhão se armava o samba duro e jogava-se a tiririca.
Porém, muita coisa mudou e não existe mais o trio de couro, nem o bloco de sujo, nem o vai-quem-quer. Essas manifestações espontâneas do povo, que provocavam algazarra e a culminavam com a intervenção policial, acabaram graças à influência da elite. A poluição sonora também tem a sua parcela de culpa. Com guitarras elétricas e grandes aparelhos de som, apagou-se o som de qualquer instrumento de couro batido por um sambista.
São Paulo sempre teve muito carnaval. Mas hoje está tudo resumido ao desfile das escolas de samba e aos poucos bailes dos clubes que ainda sobrevivem. Isso é muito triste, pois o Carnaval sempre serviu para as manifestações espontâneas do povo e, agora, é um espetáculo para atrair turistas.
Portanto, a bagunça que fizeram todos os sambistas citados neste texto, e muitos outros que não me vieram à lembrança fizeram e fazem a história de uma cidade e, também, do Brasil. Aqueles foram Carnavais memoráveis. O que se tem hoje é muito dinheiro bancando aventureiros.
Hoje, o dia é de tristeza para a comunidade do samba brasileiro... principalmente, paulista. Faleceu, na madrgada desta segunda-feira (04/10/2010), Alberto Alves da Silva, o Seu Nenê da Vila Matilde, um dos principais expoentes do ritmo. Ele tinha 89 anos e estava internado no Hospital Tatuapé, na zona leste paulistana, por conta de um quadro de gripe muito forte.
Seu Nenê fundou a escola que recebe o seu nome em 1949, junto com um grupo de sambistas que faziam rodas de samba no Largo do Peixe, no bairro da Vila Matilde. Ele ficou à frente da agremiação por 47 anos, até 1996, quando passou o comando para seu filho, Alberto Alves da Silva Filho, conhecido como Betinho, devido a problemas de saúde.
Ainda que estivesse afastado da diretoria da agremiação, o fundador sempre esteve presente nos desfiles carnavalescos (exceto em 2008, quando não pode participar por conta, também, de problemas de saúde). Neste ano, Seu Nenê apareceu no Anhembi (local em que são realizados os desfiles das escolas de samba de São Paulo) apenas na apresentação das agremiações campeãs. Sorridente, levou o troféu de campeão do Grupo de Acesso, o que garante a Nenê da Vila Matilde no Grupo Especial do Carnaval de 2011.
O velório será realizado na quadra da escola, na Penha, Zona Leste de São Paulo.
Mais pra frente, contaremos toda a história de Seu Nenê da Vila Matilde que, infelizmente, encerrou-se hoje, mas que, com certeza, deixou muitos aprendizes e sucessores.