quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Glórias - do Grupo Barra Funda à Camisa Verde e Branco...

Eram os idos de 1914. O samba de São Paulo dava os seus primeiros passos, ainda que sofresse discriminação, especialmente, por parte das camadas sociais mais abastadas e das autoridades. Foi nesse ano em que a Barra Funda, tradicional bairro da zona oeste paulistana, viu nascer o grupo com a mesma graça da localidade. À frente do projeto estava Seu Dionísio Barbosa, um dos pioneiros do samba no país, uma vez que o registro da primeira música desse estilo que se tem notícia só ocorreria em 1917 com “Pelo Telefone”.

Os rapazes, trajando camisa verde a calça branca, desfilavam pelo bairro. Era a primeira célula do que, 39 anos mais tarde, seria o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco, um dos mais importantes redutos do samba, e que conserva as suas raízes até hoje. O Grupo Barra Funda, como fora batizado por Seu Dionísio, revelou e deu espaço a muitos dos sambistas que surgiam no Largo da Batata, do Café e em bairros específicos de São Paulo. Porém, em 1936, sem motivo aparente, o grupo não foi às ruas durante o carnaval. Nos anos seguintes, a ausência repetiu-se.

Durante o governo Vargas, o Barra Funda teve alguns problemas por ser confundido com simpatizantes do Partido Integralista de Plínio Salgado, por conta da cor da roupa que os seus integrantes usavam. Diante dessa situação, houve a decadência do grupo o qual foi reerguido por Inocêncio Tobias, o Mulata. No dia 04 de setembro de 1953, ele fundava o cordão Mocidade Camisa Verde e Branco, tendo a Barra Funda por sede.

Como cordão carnavalesco, foi campeão em seu primeiro desfile (1954), com o enredo "IV Centenário de São Paulo", vencendo novamente em 1968 (enredo: “Treze de Maio”) e 1969 (“Biografia do samba”). Em 1972, por falta de concorrentes, passou para a categoria de escola de samba, ingressando no primeiro grupo do carnaval paulistano. De 1974 a 1977, conquistou um feito inédito: o tetracampeonato do carnaval. Voltou a ser campeão em 1979.

A década de 1980 foi de perdas importantes para a agremiação. Faleceram Inocêncio Tobias (o Mulata) e Cacilda Costa (Dona Sinhá, companheira de Mulata, na época, já detentora do título de Dama do Samba Paulistano). Em 1990, outro que deixou para sempre a quadra da escola foi Carlos Alberto Tobias, presidente (na ocasião) e criador da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Porém, o período não foi só de tristezas para o povo da Barra Funda. O Camisa Verde e Branco conquistou o seu segundo tetracampeonato (1989, 1990, 1991 e 1992).


Continuarei falando sobre a história do Camisa Verde e Branco. Na próxima oportunidade, darei mais ênfase para fatos históricos que envolveram o cordão e a escola, e como eles ajudaram a construir o samba paulista e brasileiro.

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